Habitação, espaço público e comércio em Matosinhos- Porto. Projecto de arquitectura de quando era jovem.

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Habitação, espaço público e comércio em Matosinhos- Porto. Projecto de arquitectura de quando era jovem.

 

Dado o carácter de transição do local, decidi, guiado pela ideia presente em uma das cidades que Italo Calvino descreve em As Cidades Invisíveis (que é percebida pelo viajante que a ela chega como imagem do paisagem  antagónico ao do qual ele provêm) reforçar  esse carácter uni e bilateral entre a cidade e o mar de uma forma evocativa.

As intenções formais são as de potenciar essa ambiguidade, recorrendo aos estereótipos do senso comum que hoje fazem lembrar a qualquer cidade (densidade de construções, variedade de percursos, diversidade de espaços, ambientes, etc.), mas ainda ao mar e em especial ao porto de Leixões (com barcos amarrados, caixotes de mercancia, chaminés, cabinas, pontes, guindastes, ferragens, etc.)

Como arquitecto justifico a implantação consecuênciada importância da geometria dos quarteirões na morfologia urbana (cunhais ou rótulas). É por iso que opto por conserva-la (e evidencio isto com um preenchimento quase total (próprio dos tradicionais quarteirões que  se estendem a norte) embora permito a permeabilidade do ambiente marítimo (brisas, humidade, vista para o mar) na rua Heróis de França.

Outra das preocupações é a das cérceas, tentando desmassificar por meio de diversidade de alturas e pequenos volumes (escala humana) ao novo edifício, e procurando proporcionar “ocos” de fuga as construções á volta e ás próprias habitações agora desenhadas.

O espaço público organiza-se  a partir da permeabilidade descrita na implantação e do traçado de percursos–passadiço que conectam as ruas de chegada ao local com os principais marcos significativos circundantes (Senhor do Padrão, zona lúdica da praia, mar, pontão, novos equipamentos) ora proporcionando atalhos, ora evocando percursos. Isto gerou toda uma serie de ruas e largos de uso público que favorece um comercio de pequena escala (lojas, cafés, confeitarias, quiosques ou livrarias…).

O edifício pretende ser uma massa densa de habitações. Estas procuram desafogos visuais e asolhamento, sem esquecer as necessidades de privacidade. Há uma tentativa de retirar as habitações do miolo e de criar fogos com salas balançadas entre blocos, de forma a todos estes possuir magnificas vistas ao mar.

As escadas foram desenhadas de forma (escultórica) a chegar a cada habitação serpenteando de diferentes maneiras ao redor da caixa do elevador.

Basicamente existe um modelo de habitação que sofre pequenas variações para se adaptar a cada lugar da edificação.

O interior é flexível, proporcionando variedade e heterogeneidade de espaços possíveis. São assim organizadas a partir de uma zona de percurso, uma zona exterior- terraço, e uma sucessão da móveis fixos. Com  janelas e painéis móveis consegue-se nos grandes espaços (sala ) abri-los ao exterior quando estiver bom tempo, assim como nos espaços pequenos fecha-los ao exterior quando estiver mau tempo.

Pretende-se uma nova ocupação do quarteirão, onde se fundem e equilibram noções tradicionais de cidade como densidade, compactação, etc. com necessidades actuais  de lazer, permeabilidade, dinamismo, diversidade, fluidez, flexibilidade, versatilidade, economia e qualidade de vivência privada e pública.

Onde a economia do espaço construído é primordial com a consequente redução da cércea média e assim do seu impacte visual.

Uma outra ocupação do quarteirão que participa como parte íntegra (mas não autónoma) dentro da cidade, com carácter misto, que conjuga o programa  habitacional, o comércio de rua, e o espaço público, possibilitando eventualmente a tradicional proximidade casa-trabalho-lazer de forma a evitar dispendiosas migrações pendulares e infra-estruturas (tanto ao nível urbano como arquitectónico).

O(s) edifício(s) proposto(s) articula(m)-se como uma grande retícula entrelaçada horizontal, vertical e diagonalmente onde se estabelecem complexas relações espaciais de densidade-desafogo sempre prestando especial atenção ao cuidado no tratamento dos espaços privado e público por forma a torna-los realmente apetecíveis.

Nas próprias células deste tecido (as habitações e as lojas) é intrínseca a vontade de se adaptarem optimamente a cada frágil circunstância (familiar ou comercial  respectivamente).

Podem ver mais images do projecto de arquitectura no link http://curras.es/matosinhos-edificios-comerciales-viviendas-puerto-porto-premio-arquitectura.html. O projecto foi seleccionado para o evento archilab 2002 «Economía da Terra» e exposto em Orleans- França onde foi publicado no catálogo «11ecoles d’ architecture» quando eu cursava arquitectura no Porto.

Também podem ver mais exposições nas que tenho participado já como arquitecto em http://curras.es/exposicions-arquitectura-calidad-proyectos-edificios-urbanismo-arquitectos.html

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