Projecto de Museu de Arquitectura da Área Metropolitana do Porto e Parque da Seca do Bacalhau en Vn. de Gaia

 

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O parque vincula-se em grande medida ao museu nele proposto, concebido como um espaço de criação e meditação (uma arquitectura na que a arquitectura medita sobre si própria) cujo carácter metropolitano vai de encontro com a vocação urbana do parque, recobrando de certa forma o pólo dinâmico que outrora existiu. Ele compreende o lugar da antiga Seca do Bacalhau (mais ligado ao mar e ao museu) e o vale de S. Paio (mais ligado ao rio e ao ribeiro que o atravessa). Afinal, parque e museu são o mesmo (um é a extensão do outro e vice versa), embora o edifício em si se encontre subordinado ao parque como mais um elemento da paisagem: um lugar de evasão, meditação, criação e também de lazer. Paisagem e arquitectura confundem-se. Identificam-se. O parque é uma área adicional de exposição e reflexão. O edifício surge como um enigmático acidente do relevo. (¿É o lugar obra do homem ou da natureza?). É esta vertente enigmática a que realça o lado transcendental, o hipotético carácter simbólico que poderá (ou não) ser atribuído.

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No parque, pois, rivalizam em importância elementos “naturais” (mar, campos de trigo, rio, ribeiro, lago, bosque…) e elementos artificiais (antigos mecos para pendurar o bacalhau, o próprio museu, etc.), todos eles de grande força telúrica e evocativa, que nos convidam a meditar, reportando-nos sentimentos de “imensidade íntima”: pensamentos interiores, íntimos, que nos vêm a cabeça quando contemplamos um elemento natural (ou artificial) que nos supera e ao mesmo tempo nos resulta acolhedor (“sobrecojedor”), tal como referiu Gaston Bachelard na sua Poética do Espaço.

Pequenos equipamentos ajudarão a configurar e darão apoio ao parque (miradouros, auditório ao ar livre, café-restaurantes, edifício técnico para manutenção e segurança, etc.)

Diziam da Alhambra: “no hay mejor música que el silencio del correr del agua”.

“El hombre camina días enteros entre los árboles y las piedras. Rara vez el ojo se detiene en una cosa, y es cuando la ha reconocido como el signo de otra: una huella en la arena indica el paso del tigre, un pantano anuncia una vena de agua, la flor del hibisco el fin del invierno(…)”.

Italo Calvino. Las ciudades invisibles.

O que me interessa é encontrar signos cujo significado se adivinhe ambíguo, e que ao memo tempo despertem a curiosidade e a imaginação do visitante (espectador-actor), não deixando de possuir valor por si próprios.

Nesta perspectiva, para melhor ler essa continuidade entre parque, rio e mar (elementos, na minha óptica, de maior valor contemplativo) o parque deve explorar a ideia de jardim sem limites, de maneira a favorecer também a fruição do areal, pelo que não deverão existir cortes originados por ruas na marginal.

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Podem ver mais imagens no seguinte portal do arquitecto: http://www.curras.es/porto-seca-bacalhau-proyecto-arquitectura-museo-area-metropolitana-bueno.html 

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